Públicado em: 29/09/2021 ás 12:11:00

Histórias que fazem nossa história: Conheça a história da professora aposentada Rosinha

Histórias de Vida

Andressa Amaral

Assessoria da Prefeitura

Se a premissa do filósofo Aristóteles de que a “Arte imita a Vida” for verdadeira, a história de vida da servidora Natalina Rosa Aiolfi Latreille, também conhecida como professora Rosinha, é um exemplo disso. Mas em qual expressão? Dança? Música? Pintura?  Interpretação? Pode-se dizer que em todas. Uma artista completa, versátil e que desempenhou todas as habilidades ao mesmo tempo, até porque, ser professora é ser multifacetada.

Mas em que aspecto a arte imitou a vida? Para falar sobre sua vida profissional, primeiramente, precisamos falar da sua vida pessoal. Em 1990, com 21 anos de idade e com apenas quatro anos de casada, sua vida profissional iniciou com o nascimento da primeira filha: Aline, com Síndrome de Down. Na busca por conhecimentos, para lidar com os desafios de criar uma filha especial, surgiu a maior paixão da sua vida: ser professora. Em 1995, quando chegou em Sinop, vinda do sul do país, começou a trabalhar como voluntária na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais APAE de Sinop, e posteriormente, foi contratada. E mesmo após passar no concurso público de Sinop, em 1998, conseguiu a cedência para permanecer na instituição até 2013.

No início de 2014, quando voltou a lecionar em uma escola regular do município, na EMEI Cecília Meireles, apesar de ter sido muito bem acolhida pela equipe gestora e professores, sentiu que seus pés caminhavam por um território desconhecido, pois há mais de 18 anos atuava somente com a Educação Especial, mas o destino reservava uma surpresa: uma criança autista na sala. Com apenas duas semanas lecionando em sala regular, Rosinha chamou a coordenação e relatou o comportamento da criança e pediu para conversar com os pais. Eles não imaginavam qual a condição do filho, mas acolheram a recomendação da escola e procuraram uma neuropediatra que confirmou o diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Este olhar apurado para a educação especial, a deixou conhecida na escola: “lá vem a Rosinha”, pois no horário do intervalo ficava observando as crianças. Em 2014, foram seis diagnósticos comprovados. No ano seguinte, a direção optou, em implantar uma sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), devido a demanda que vinha aumentando, consideravelmente, entretanto, não era uma sala convencional, o espaço foi montado, com pouca estrutura inicialmente, mas com uma grande vontade, tanto da equipe gestora, quanto da professora, de melhorar o desempenho e a qualidade de vida dos alunos especiais. A principal função da professora era observar os alunos que por ventura, não conseguiam acompanhar as atividades inerentes a sua idade, e isso era feito de várias formas, entre elas, observar o aluno na sala regular, e em cada ano, eram em torno de 11 diagnósticos confirmados por médicos especialistas.

Além dos desafios em sala de aula com as crianças, e principalmente com crianças especiais, há uma questão que os professores também precisam trabalhar: os pais. Durante todos estes anos como professora dedicada a Educação Especial, pôde conhecer pais que não tinham conhecimento sobre a condição do filho. Um caso que lhe chamou atenção foi bastante surpreendente. “A gente percebia nitidamente que um aluno, com quatro anos de idade, tinha alguma coisa, e comecei a observá-lo diariamente. Chamei os pais para conversar, pensando que eles já soubessem, mas para a minha surpresa, eles não sabiam que o filho tinha microcefalia. Não era acentuada, mas era visível. Eles aceitaram e imediatamente procuravam ajuda médica e iniciou tratamento. Além da microcefalia ele também era autista. Essa situação me marcou demais. Até hoje tenho contato com esta família. Todavia, nem sempre os pais reagem dessa forma, há aqueles que negam a condição especial do filho”, e esse é um dos pontos que mais prejudica o desenvolvimento da criança especial, relatou.

A experiência de casa, de ouvir constantemente diagnósticos sobre a saúde da filha Aline, desenvolveu na servidora Rosinha uma empatia muito grande pelos pais de crianças especiais.  “Tudo aquilo que eu senti quando recebemos ela, eu tentei passar para os outros pais. Sempre tentando acolher. Dizendo que não é fácil, mas era uma missão possível. Se eu falasse que é fácil eu estaria mentindo. Os pais de crianças especiais têm aquela angústia e preocupação constante, principalmente sobre o futuro dos filhos, os quais entendo perfeitamente, por isso, é necessário muito carinho, compreensão e dedicação para que eles entendam com amor que é ‘PARA A VIDA TODA’”.

O meu grande desejo é fazer as pessoas entenderem que aquela criança apesar de ter uma limitação, ela tem uma condição especial e que só precisa aceitação, amor e estímulo, com o passar dos dias, percebemos qual o melhor caminho para trabalhar a independência e as principais necessidades dessa criança", ressaltou.

Os anos foram passando, e a carreira profissional da servidora estava prestes a se encerrar, percebendo que ainda poderia contribuir, a nível de Educação Especial, a mesma tinha sonhos e alguns projetos em mente para depois que se aposentasse. Contudo, uma doença grave que acometeu a filha, fez Rosinha mudar seus planos profissionais. Em 2019, Aline ficou quase 30 dias hospitalizada, sendo que 11, na Unidade Terapia Intensiva (UTI). Desenganada pelos médicos, disseram que só um milagre poderia curá-la. Momentos muito marcantes que reforçaram ainda mais a fé de uma mãe e as orações da família, de amigos, e de pessoas que mal conhecíamos, reverteram a situação e Aline, voltou para casa para a alegria de todos. E, após 26 anos de dedicação a Educação Especial, a servidora Rosinha se aposentou para se dedicar à família, aos filhos e a novos projetos. 

"Eu devo a minha profissão à minha filha, ela é minha inspiração. Gratidão a Deus por tudo”.

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